O seu negócio/produto é ‘diferentão’. Como todos os outros.


Acho graça do meme “Diferentão/Diferentona”, que apresenta frases reais de pessoas que comentam de si como protagonistas de eventos inéditos, únicos. “Só eu que prefiro livros a filmes?”, ou “Só eu que não gosto de calor?”, ou então “Só eu que amo minha sogra?”. É certo que enxergamos o mundo a partir das nossas experiências e vivências, mas esta é uma clara expressão de egocentrismo e falta de um olhar mais sensível, de enxergar os outros e não apenas a si.

Da mesma forma acaba sendo transportada esta experiência para o meio de marcas e produtos. Só eu que tenho qualidade. Só o meu consegue ser barato. Só o meu produto é gostoso. Aos diferentões de plantão, tenho uma revelação a fazer: qualidade, preço e sabor não são diferenciais exclusivos do seu negócio. Ah, e não para por aí: tecnologia, variedade, volume, prazo, logística, informação, acesso, sabor… A lista pode ser gigantesca de ditos diferenciais que as marcas/empresas juram que têm – mas que nos dias de hoje não representam barreira alguma de entrada a concorrentes ou novos entrantes.

Diferencial, etimologicamente, significa aquilo que indica ou estabelece diferença. Portanto, algo que sugere distinção, identidade. Sustentar um dito diferencial em algo facilmente mimetizável é entregar seu negócio à sorte, sem construção de valor ou qualquer tipo de relação que estabeleça critérios afetivos – e sim, apenas critérios de julgamento e avaliação, passíveis à troca ou busca por melhores ofertas.

Vivendo a experiência com uma marca, o consumidor passa a assimilar outros atributos, que aí sim a diferenciam. Uma marca que tem a dita qualidade e está há muito no mercado, pode representar tradição. Ou se ela transmite confiança pode ter credibilidade. Ou mesmo percepção de qualidade, por meio de um bom design ou acabamentos e expressão criativa que traduzam isso.

A construção de valor precisa ser pautada em características sólidas, que possam ser controladas no design, comunicação, marketing e emoção – e não reféns de oscilação de mercado, moeda, exclusividade de fornecedores, acesso, maquinário; ou às vezes até pior, nas mãos de um funcionário ou departamento. Por si só, a marca precisa sustentar uma ideia. E todas suas mensagens transbordarem esta ideia principal e tudo de análogo que ela carregar, que unifique e transcenda o significado primordial, sincronizado com suas características fundamentais – entre elas, a tal qualidade. O convite é para apurar os sentidos, e buscar olhar sua empresa ou produto não pelo que ela trouxe até aqui, mas pelo que fará e será para os próximos anos.

 

Publicado originalmente no Linkedin de Berna Magalhães.

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